A vitamina K2 (menaquinonas) tem estudos com MK-7, mas a EFSA considera insuficiente a evidência sobre elas para fixar uma ingestão. Doses de 50 µg por dia ou mais de MK-7 podem interferir nos anticoagulantes. Pela IN 28, a frase permitida é: “A vitamina K auxilia na manutenção dos ossos.”
Fatos-chave
- Nos Estados Unidos, a ingestão adequada de vitamina K para adultos vai de 90 a 120 mcg por dia, e o NIH informa que ela não tem limite máximo tolerável definido. [1]
- Preparações com 50 µg por dia ou mais de MK-7 podem interferir nos anticoagulantes orais, e a MK-7 acumula em níveis mais altos (7 a 8 vezes) durante o uso prolongado. [2]
- Em 244 mulheres saudáveis na pós-menopausa, 180 µg de MK-7 por dia durante 3 anos reduziram a perda de massa óssea na lombar e no colo do fêmur, mas não no quadril total. [3]
- Para adultos, a EFSA fixou a ingestão adequada em 70 µg por dia só para a filoquinona (K1), porque a evidência sobre menaquinonas é insuficiente. [4]
- O Aurora Rinascita traz 33 µg de vitamina K (28% do valor diário) em 2 cápsulas, e a lista de ingredientes cita menaquinona-7. [5]
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Vitamina K1 e K2: qual a diferença
Vitamina K é o nome de uma família. A filoquinona (K1) é a forma principal da alimentação e está sobretudo em folhas verdes. As menaquinonas (K2) têm cadeias laterais mais longas, são numeradas de MK-4 a MK-13 e aparecem em alimentos fermentados e, em quantidade modesta, em carne, laticínios e ovos. Segundo o NIH, MK-4, MK-7 e MK-9 são as menaquinonas mais estudadas. [1]
A Anvisa lista a menaquinona-7 entre os constituintes permitidos em suplementos. [6]
Quanto se precisa e por que a EFSA separa as formas
O NIH fixa a ingestão adequada de vitamina K para adultos entre 90 e 120 mcg por dia e informa que a maioria dos americanos consome o suficiente pela dieta. A deficiência grave, que se mostra por sangramento, é muito rara em adultos saudáveis. [1]
A EFSA, na Europa, chegou a uma conclusão diferente nas formas: fixou a ingestão adequada em 70 µg por dia para todos os adultos, incluindo gestantes e lactantes, mas só para a filoquinona. Segundo o parecer, a evidência sobre ocorrência, absorção, função e quantidade de menaquinonas no corpo é insuficiente para fixar um valor para elas. [4]
Esse é um ponto que as buscas por K2 costumam pular: a K1 tem valor de referência; a K2, até aqui, não.
Vitamina K2 e ossos: o que os estudos mostraram
A Anvisa permite uma frase para a vitamina K: “A vitamina K auxilia na manutenção dos ossos.” Ela vale para suplementos cuja quantidade atenda ao mínimo da norma. [6] Já o que os estudos mostram vai além de uma frase.
O ensaio mais citado com MK-7 acompanhou 244 mulheres saudáveis na pós-menopausa por 3 anos, com 180 µg de MK-7 por dia ou placebo. O grupo da MK-7 teve melhora do estado de vitamina K e menor queda, com a idade, do conteúdo e da densidade mineral óssea na coluna lombar e no colo do fêmur, mas não no quadril total. Os autores ressalvam que é preciso investigar se o resultado vale para outras populações, como crianças e homens. [3]
O NIH descreve um quadro mais misto: vários ensaios com mulheres na pós-menopausa encontraram melhora da densidade óssea com fitomenadiona (K1) ou MK-4, e a MK-4 reduziu certos tipos de fratura, mas os resultados de outros ensaios foram variados. Sobre a calcificação dos vasos, os resultados foram inconclusivos. [1]
MK-7: por que a dose importa
A MK-7 se destaca pela meia-vida muito longa. Segundo o estudo de Schurgers e colegas, uma diferença importante entre as duas formas de vitamina K é essa meia-vida, que resulta em níveis no sangue bem mais estáveis e em acúmulo da MK-7 a níveis mais altos (7 a 8 vezes) durante o uso prolongado. [2] A mesma característica é a razão do alerta do estudo de Schurgers e colegas: hematologistas devem saber que preparações com 50 µg por dia ou mais de MK-7 podem interferir de forma clinicamente relevante no tratamento com anticoagulantes orais. [2]
O ensaio de 3 anos usou 180 µg por dia, mais que o triplo desse limiar de alerta. [3]
Anticoagulantes: quem precisa conversar antes
O NIH registra que a varfarina e alguns outros anticoagulantes antagonizam a atividade da vitamina K, e que por isso a vitamina K pode interagir com esses medicamentos. [1] Quem usa anticoagulante, ou está em investigação por problema de coagulação, deve falar com o médico antes de qualquer suplemento com vitamina K, em qualquer dose.
Fora desse grupo, o NIH informa que a vitamina K tem baixo potencial de toxicidade e não tem nível máximo tolerável definido. [1]
Vitamina D3 com K2: o que dizer
A busca por D3 com K2 é grande, e a razão é conhecida: as duas vitaminas atuam em ossos e cálcio. Nas fontes lidas para este guia, porém, não há ensaio que compare a D3 sozinha com a D3 acompanhada de K2, e por isso o texto não afirma que a dupla funcione melhor. O que se pode dizer é o que cada uma tem de frase permitida e de limite: para a vitamina D, veja vitamina D3: para que serve e quanto tomar, e para a relação com o cálcio, cálcio e vitamina D.
A vitamina K do Aurora Rinascita
O Aurora Rinascita vem em cápsulas softgel, com 2 cápsulas por dia. Pela tabela publicada, a porção traz 33 µg de vitamina K (28% do valor diário) e 50 µg de vitamina D, e a lista de ingredientes cita menaquinona-7 e colecalciferol. [5] Os 33 µg ficam dentro da faixa que a IN 28 admite para suplementos, de 18 µg a 149,06 µg por dia para maiores de 19 anos. [6]
Duas comparações ajudam a situar o número. Ele é menor que os 180 µg do ensaio de 3 anos e menor que os 50 µg do alerta sobre anticoagulantes. [3] [2] Isso não substitui a conversa com o médico para quem usa anticoagulante. O Dolce Calcio, por sua vez, traz cálcio e vitamina D3 e não tem vitamina K na lista de ingredientes. [7]