Fogachos são ondas súbitas de calor no rosto, no pescoço e no peito, muitas vezes com suor e palpitações. Atingem até 80% das mulheres na menopausa e duram em média de 7 a 9 anos. Segundo a sociedade norte-americana de menopausa, a terapia hormonal é o tratamento mais eficaz, e suplementos não são recomendados para esse sintoma.
Fatos-chave
- Fogachos e suores noturnos são os sintomas mais comuns da menopausa e atingem até 80% das mulheres nessa fase. [1]
- Eles duram em média de 7 a 9 anos e, em um terço das mulheres, passam de 10 anos. [1]
- Nos estudos de tratamentos sem hormônio, de 20% a 66% das mulheres melhoram só com o placebo. [1]
- No único estudo com óleo de prímula, os fogachos caíram 1,0 por dia com o óleo e 2,6 por dia com o placebo. [1]
- A maioria das mulheres chega à menopausa entre os 45 e os 55 anos. [2]
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O que são fogachos
O fogacho, também chamado de onda de calor, é uma sensação súbita de calor no rosto, no pescoço e no peito. Costuma vir com vermelhidão na pele, suor, palpitações e desconforto, e pode durar alguns minutos. Quando acontece à noite, aparece como suor noturno e atrapalha o sono. [2]
Fogachos e suores noturnos são os sintomas mais comuns da menopausa e atingem até 80% das mulheres nessa fase. [1] Pequenas elevações da temperatura central do corpo podem disparar um episódio. [1]
Quando começam e quanto duram
A menopausa natural costuma acontecer entre os 45 e os 55 anos e é confirmada depois de 12 meses seguidos sem menstruação, sem outra causa. A perimenopausa vai dos primeiros sinais, como mudanças no ciclo, até um ano depois da última menstruação, e pode durar vários anos. [2] As outras mudanças dessa fase estão no guia o que muda na menopausa.
Os fogachos duram em média de 7 a 9 anos e, em um terço das mulheres, passam de 10 anos. [1] Por isso, vale conversar sobre eles com o médico em vez de esperar que passem.
O que funciona, segundo as evidências
Em 2023, a sociedade norte-americana de menopausa (NAMS) revisou os estudos sobre tratamentos para fogachos e classificou cada opção em três níveis: Nível I, evidência boa e consistente; Nível II, evidência limitada ou inconsistente; Nível III, consenso e opinião de especialistas. [1]
Terapia hormonal. Continua sendo o tratamento mais eficaz para os fogachos e deve ser considerada para mulheres com menos de 60 anos, até 10 anos depois da última menstruação e sem contraindicações. [1]
Opções sem hormônio. Para quem não pode usar hormônio, por exemplo por câncer dependente de estrogênio ou doença cardiovascular, ou para quem prefere não usar, a posição lista opções com evidência. [1]
| Opção | Classificação | Nível de evidência |
|---|---|---|
| Terapia cognitivo-comportamental | Recomendada | I |
| Hipnose clínica | Recomendada | I |
| Alguns antidepressivos, gabapentina e outros medicamentos de prescrição | Recomendados | I |
| Perda de peso | Recomendada | II e III |
| Suplementos e fitoterápicos | Não recomendados | I e II |
| Soja e extratos de soja | Não recomendados | II |
| Exercício, ioga e relaxamento | Não recomendados como tratamento | II |
Os medicamentos dependem de avaliação e prescrição médica. "Não recomendado", aqui, se refere só ao tratamento dos fogachos: a posição avalia a evidência para esse sintoma. [1]
E os suplementos?
A posição de 2023 não recomenda suplementos e fitoterápicos para fogachos. [1] Alguns exemplos analisados:
- Óleo de prímula: no único estudo, 56 mulheres tomaram 500 mg por dia ou placebo, durante 6 meses. Os fogachos caíram 1,0 por dia com o óleo e 2,6 por dia com o placebo, sem vantagem para o óleo. [1]
- Vitamina E: há muito pouca evidência de benefício relevante para os fogachos. [1]
- Soja e isoflavonas: os estudos são muito diferentes entre si e mostram resultados mistos. [1]
Um motivo para tanta promessa sem prova é o efeito placebo: nos estudos de tratamentos sem hormônio, de 20% a 66% das mulheres melhoram só com o placebo, e as mais ansiosas respondem mais a ele. [1] Só a comparação com placebo mostra se um produto faz diferença.
No Brasil, a Anvisa proíbe que suplementos aleguem melhora de sintomas da menopausa ou da tensão pré-menstrual. [3] Um nome ligado à menopausa não quer dizer que o produto trata fogachos. Para comparar fórmulas com critério, veja como avaliar um suplemento na menopausa.
Calor, roupa e gatilhos no dia a dia
Como pequenas elevações da temperatura do corpo podem disparar um fogacho, a posição descreve medidas de controle de temperatura: roupas em camadas, tecidos que respiram, ventilador, bolsa fria sob o travesseiro e quarto mais fresco. Faltam estudos grandes para provar que elas reduzem os fogachos, e por isso ficaram como não recomendadas como tratamento (Nível II). [1]
Também é comum ouvir que álcool, cafeína, comida apimentada e bebidas quentes são gatilhos. Um estudo com 4.595 mulheres chinesas associou álcool a mais fogachos, mas outros estudos não confirmaram, e não há estudo clínico sobre evitar gatilhos. [1] Se você percebe um gatilho pessoal, anote e leve para a consulta.
O que levar para a consulta
- Frequência e intensidade: quantos fogachos por dia e por noite, e quanto atrapalham o sono e a rotina.
- Histórico: data da última menstruação, doenças e cânceres na família, problemas do coração.
- Remédios e suplementos em uso: com os rótulos ou fotos legíveis.
- Preferência: se você aceita ou prefere evitar hormônio. A posição lista opções eficazes para os dois casos. [1]
Em resumo
| Dúvida | O que as fontes mostram |
|---|---|
| Quantas mulheres têm? | Até 80% na menopausa |
| Quanto duram? | De 7 a 9 anos em média; mais de 10 anos em um terço |
| Tratamento mais eficaz | Terapia hormonal, com avaliação médica |
| Sem hormônio | Terapia cognitivo-comportamental, hipnose clínica e medicamentos de prescrição |
| Suplementos | Não recomendados para fogachos |